A subversão está montada. Nada, nem ninguém desviará o curso do rio da batota e fraude, no interior do regime e exterior, em Dezembro de 2026 e Agosto de 2027. A oposição e a sociedade civil ao verem a montagem do puzzle da batota, não podem continuar indiferentes. Calados, acreditando que a jibóia possa virar minhoca. Jamais ocorrerá. Em 2027!
Por William Tonet
O ADN do longevo regime (50 anos), não mente. Luta fora das linhas da transparência, humildade e ética eleitoral, face a apetência exacerbada pela manutenção de um poder, assente na força das armas e numa ideologia de extrema direita ditatorial, incompatível com os ventos da democracia plural, participativa.
As alterações de leis, que não careciam, da Constituição, bem como a criação de novas, cujas normas punitivas, emprestam uma insegurança jurídica sem precedente, para beneficiar o partido no poder, indiciam uma nova tragédia.
É a entropia jurídica que está em voga. O Titular do Poder Executivo, através de anteprojectos de leis, na maioria das vezes, tem causado o aumento da desordem, “da incerteza e imprevisibilidade no sistema jurídico legal, fruto dessa hiperinflação legislativa, com mudanças rápidas de jurisprudência e conflitos normativos.
É a tendência natural do Direito à desorganização (alta entropia).
Os tribunais e magistrados são partidocratamente, cooptados… Infelizmente, na Assembleia Nacional a oposição não tem força numérica, para inverter o quadro dantesco e promover a estabilidade e segurança jurídica necessárias, antes das eleições gerais de 2027. Neste cenário decorrerão com batota. Seguramente!
A manutenção da estrutura da CNE (Comissão Nacional Eleitoral), que age como se fosse uma espécie de organização criminosa é um verdadeiro perigo para a estabilidade.
A teimosia na manutenção de Manuel da Silva “Manico”, um juiz comprometido com a fraude e actos que configuram corrupção, denunciados por Silva Neto, sem reputação ilibada é um estímulo à sublevação social.
A contratação “directa” da mercenária INDRA, para gerir o sistema informático é uma verdadeira provocação. Um barril de pólvora!
MPLA À BEIRA DA IMPLOSÃO
A desestabilização e divisões internas no MPLA, depois da ascensão do presidente João Lourenço, já não são possíveis de esconder…
Uma verdadeira purga foi e continua em curso: eliminar tudo que cheira, família, filhos e próximos de José Eduardo dos Santos e… Agostinho Neto, também, na pessoa de Carlos São Vicente.
O prometido combate a corrupção não passou de uma falácia. Ela se multiplicou… Foi trocar seis por meia dúzia. A imagem do MPLA está mais desgastada e colada a uma das maiores rotas de corrupção institucional: PIIM, que queimou dinheiro do Fundo Soberano, corruptamente, por camaradas, qualificadamente identificáveis.
A visão de consolidação de poder, levou a alteração anormal dos estatutos, por órgão incompetente: Congresso Extraordinário. A nomeação do maior comité central do mundo, composto maioritariamente, por jovens, muitos imberbes, sem maturidade político-ideológica e a expulsão dos verdadeiros militantes e dirigentes descaracteriza a sua imagem e retórica.
Hoje as lutas intestinais são de tal monta, que o medo faz parte da cultura interna. Ninguém ousa criticar o presidente. São covardes. Têm medo de ver as contas embargadas. Assim sobe o poder absoluto de um líder, que navega no imaginário de bajuladores, que fazem mais do que o pedido pelo bajulado…
Por esta razão ninguém, no seu juízo perfeito, no actual cenário, acredita na realização de um congresso em Dezembro de 2026, com múltiplas e verdadeiras candidaturas. Melhor, só a batota tem fé e crença.
Não é possível ir a jogo numa competição democrática, que é imprevisível, com um candidato que teria tão pouco tempo, para se dar a conhecer: 6 meses. Nesta senda só poderá ser o candidato João Lourenço a concorrer à sua sucessão e ou um capacho, submissamente, fiel, que terá toda a máquina do Estado a sua disposição na lógica da batata, na lei da batota.
O PASSADO NUNCA FOI TRANSPARENTE
Em 1975 o MPLA tinha plena convicção de uma aceitação ao jogo limpo da democracia, proposto em Alvor, que perderia. A FNLA com mais implantação e um passado revolucionário de luta nacionalista contra as autoridades coloniais portuguesas, venceria.
Isso afrontaria, o projecto do grande capital português (banca, comércio) e americano (Chevron-exploração de petróleo). Agostinho Neto, sub-repticiamente, que advogava, publicamente, o socialismo, foi ao Canadá negociar com a petrolífera imperialista, garantindo-lhe a continuidade nos blocos de Cabinda e Soyo, chegado ao poder… Consumou-se! A petrolífera terá “untado” os parceiros, ainda em 1974, com mais de 50 milhões de dólares…
Cuba para apoiar com militares recebeu 10 milhões e montante igual foi direccionado a Jugoslávia, para a venda de material bélico. A União Soviética foi completamente afastada da exploração das grandes riquezas.
Toda esta estratégia, visava a continuidade do colonialismo, por outras vias. Logo, afastar a FNLA e a UNITA das cidades, sabotando as primeiras eleições gerais, em 1975, constituiu o objectivo sacrossanto. Para a sua materialização, o MPLA e Agostinho Neto contou ainda com o indefectível e traiçoeiro apoio do Partido Comunista Português, que mobilizou militares do MFA (Movimento das Forças Armadas de Portugal), que lhe escancararam os quartéis com todo armamento e material, suficiente para armar e recrutar apoiantes para a causa de expulsar os demais subscritores…
No plano político, Neto contou com Almeida Santos, do Partido Socialista português, velho amigo de Argel, que tratou de fazer monitoria internacional de desvalorização dos Acordos de Alvor, tratando-o como simples pedaço de papel, sem valor… Tudo porque a escolha já tinha sido tomada: deixar o poder nas mãos do MPLA: “eram negros assimilados, que gostavam da cultura, bacalhau, vinho e mulheres de Portugal”…
A grande estratégia era e ainda é a de continuar o colonialismo por outras vias. Este agora vem não de caravelas, mas de avião, como investidor, mas com o mesmo “modus operandi”… E, desta forma se traiu, se continua a trair, a revolução e o sonho de milhares de angolanos, que acreditaram num novo país…
Mas, também, quando internamente, Agostinho Neto foi confrontado, pelos seus camaradas, sobre as negociações secretas, realizadas com a Chevron americana à revelia do bureau político e Conselho da Revolução do MPLA, para continuar a explorar o petróleo, respondeu com violência. Engendrou o fantasma do 27 de Maio de 1977, de falso golpe de Estado, criou falsos cabecilhas: Nito Alves, Zé Van-Dúnen, Monstro Imortal, Sitta Valles, tudo para eliminar mais de 80 mil militantes e dirigentes do MPLA e da sociedade civil.
A acção sanguinária de Agostinho Neto e a sua cúpula visou destilar o medo na sociedade. Foi o dilúvio da barbárie… Os resquícios ainda andam por aí…
Têm seguidores. Novos. Que gostam de assassinar…
Daí a pergunta que calcorreia nas avenidas mentais de milhões: o que o MPLA e o presidente João Lourenço reservam para os angolanos em 2027, em plena era Trump?

